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Como Tocar sem Cifras

Você quer tocar sem cifras mas tem dificuldade de memorizar? Ou quer acompanhar, de ouvido, uma música que ainda não sabe? Entenda como desenvolver estas habilidades.

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“Como tocar sem cifras?”

Essa é uma das perguntas que eu recebo, praticamente, todos os dias, várias vezes, por vários lugares diferentes. De tanto me perguntarem, eu resolvi falar sobre isso para resolver essa questão de uma vez por todas.

Meu nome é Renato Faleiro, sou o criador do curso online de violão, o Você Pode Tocar.

Quando alguém diz assim: “como eu toco sem cifras?”, eu penso em duas situações: a primeira delas é o aluno que aprende as músicas, já toca várias músicas, mas ele sempre tira de algum lugar, ou seja, de um site, de um livro, de uma revistinha, etc., enfim, ele sempre precisa estar olhando. Ele aprende a música mas não se desliga do papel ou da imagem do computador. Como ele vai se livrar, como ele vai decorar?

Bom, na verdade, esse é um exercício mais de memorização do que um exercício musical, e isso eu falo com a mais absoluta certeza, porque é uma coisa que acontece comigo até hoje, mais de 20 anos depois que comecei a tocar. Se eu começo a tocar uma música que está escrita em algum lugar, eu vou aprender lendo. Mas, se eu nunca tirar esse papel/imagem da minha frente, eu nunca vou memorizar, certo? Por outro lado, se eu tiro de uma vez, eu não vou conseguir tocar a música. Então, o que você tem que fazer nesse caso? Faça o processo mais drástico: tire a sua referencia de uma vez (papel, imagem, etc.), e tenta tocar a música sem olhar a cifra. O que você lembra dela? Você lembra da primeira parte? Lembra algumas partes, mas não lembra ali mais para o meio? Enfim, tenta mapear o que você sabe e o que você não sabe.

Agora, vou imaginar a situação em que você só saiba a primeira frase (parte) da música. Dê uma olhada na segunda frase, lembra como é, tira da sua frente e toque a primeira e a segunda, até acertar. Depois, leia a terceira frase e a largue de lado e toque as três primeiras fases. E vai fazendo assim até completar a música.

Outro ponto, bastante interessante, é você mapear as partes da música, porque, muitas vezes, a música pode ter sequências repetidas. Por exemplo, na música “Será”, do Legião Urbana:
a frase “tire as suas mãos de mim, eu não pertenço a você”, a frase vai ficar seguindo nessa sequência: dó, sol, lá menor, fá. Verá que irá tocar essa sequência várias vezes, na música.
Depois, mais para o finalzinho, vai mudar para: dó, lá menor, fá, sol. Depois um refrão: “Será só imaginação”, e você vai perceber que ele vai ter uma harmonia diferente. Então, você já está entendendo que a música tem blocos: aquele principal (dó, sol, lá menor, fá), que fica se repetindo, o mais para o final e o outro que é um trechinho para você ir para o refrão, que vai ficar basicamente no sol e ré menor.

E depois, no final da música, vai ter a parte “brigar pra quê,  se é sem querer; quem é que vai nos proteger”. Essa parte ainda não tinha aparecido na música.

Então, pausa para relembrar: começamos com dó, sol, lá menor, fá, que ficaram se repetindo; dó, lá menor, fá, sol, que “terminava” aquela primeira parte e foi para sol e ré menor, basicamente (tem outros acordes também, mas eu estou fazendo de uma maneira bem resumida); e, depois, teve o final da música: dó, sol com baixo em si, si bemol,  ré menor.

Eu usei esse exemplo porque ele tem uma harmonia básica (que é o dó, sol, lá menor e fá) e outras que vão entrando. Então, tem que ligar as duas partes nesse exercício de memorização.

Tente tocar sem o papel/imagem, tirar a sua referencia, a cifra, da frente para tocar e tente também entender a música como um todo. Entenda quais são as sequências que envolvem, que formam a música.

Agora vamos para o outro ponto.

A outra situação é quando o aluno quer ter uma percepção musical melhor, ou seja, ele quer que alguém comece a cantar, de repente, e ele já consiga ir acompanhando as notas. Isso é típico de acontecer. Eu sempre gosto de usar o exemplo do maestro do antigo programa do Jô Soares: era muito comum um artista ir lá dar entrevista sem o restante da banda e o Jô pedir uma “palhinha”, pedir para tocar um trechinho de alguma canção daquele artista, mas ele foi à entrevista sem a banda dele, então o artista pede um tom para o maestro e então a banda do Jô toca. Tem algumas pessoas que, quando me perguntam como tocar sem cifras, estão se referindo a essa situação. Elas querem conseguir tocar assim, como o maestro (o Osmar) do Jô (e muitos outros) consegue.

Qual o caminho para que você consiga, então? Existem dois caminhos:

1 – Você precisa ter uma vivência musical, com repertório, já tocar há um certo tempo. E, quando digo “há um certo tempo”, entenda “um bom tempo”, o que é bem relativo, pode começar a acontecer em 5 anos ou antes ou depois, mas o fato é que você precisa já ter tocando bastante, precisa conhecer diversos tipos de música, conhecer diversos caminhos harmônicos, para isso vir a acontecer.

2 – Estudar teoria, culminando mais ali no campo harmônico. E é até bom falarmos neste assunto, porque existe uma cultura, que na minha opinião é até errada, de que, se aprender campo harmônico, saberá tocar qualquer música, qualquer tom que pedirem a você vai começar a cantar, sabendo todas as notas… Mas a verdade é que na prática, infelizmente, não é bem assim.

O que é o campo harmônico? Campo harmônico é o conjunto de acordes que fazem parte da mesma tonalidade. Por exemplo, vamos supor que alguém vire para você e diga “vamos tocar essa música x aqui que é em sol maior”. Se você já estudou campo harmônico, você saberá os possíveis acordes. Se a gente falar em tríades (que são os acordes mais básicos), provavelmente vai ter o sol, claro, já que ele é o dono do tom, o lá menor, si menor, dó maior, ré maior (ou pode ser com sétima, que depois eu vou falar sobre), mi menor, fá sustenido meio diminuto. Isso são probabilidades. Se for uma música que trabalha em tétrade, por exemplo, uma bossa nova quase sempre vai estar em tétrade, então poderá ser: sol com sétima maior, lá menor com sétima, pode ser si menor com sétima, dó com sétima maior, ré com sétima, mi menor com sétima, fá meio diminuto (que é fá sustenido menor com sétima e quinta diminuta).

Talvez você nem saiba isso tudo e está, neste exato momento, confuso(a) com tanta informação, mas não se desespere. Fiz só um resumo para chegar onde eu quero chegar com você.

Saber o campo harmônico, saber essa teoria, vai te ajudar? Vai. Vai ser suficiente? Não. Por quê? Porque saber quais são os acordes possíveis dentro de um tom só te dá as possibilidades.. Não te dá a resposta exata, por exemplo, para qual acorde você tem de ir.

Pense: Eu começo a tocar no tom de sol. Como que você vai conseguir me acompanhar se você não sabe qual será a próxima nota? Se depois que você tocar tem que ir para o lá, ou para o dó, ou ré… Aqui, entra na primeira situação, que é a prática, a vivência.

E qual dos dois é o mais importante? Na verdade, os dois.

Eu conheço vários músicos que nunca estudaram teoria musical a fundo, talvez eles nem saibam explicar para mim o que é campo harmônico, se eu perguntar… Mas eles já desenvolveram tanto a percepção, já tocaram tantas músicas, por tanto tempo… Conhecem, ou já ouviram falar, daquelas pessoas que tocam em serestas, há 30 anos da vida, os músicos de baile que já tocaram, sei lá, 10 mil músicas durante o trabalho deles. Com certeza, essas pessoas têm uma percepção musical bem mais desenvolvida, elas já conhecem as cadências, os caminhos harmônicos.

Então como que você desenvolverá isso? Fazendo as duas situações: estudando a teoria necessária para chegar no campo harmônico, nas progressões, nas sequências, nas cadências de acordes e, também, tocando repertório.

Não dá para, por exemplo, você só tocar punk rock (ou qualquer outro estilo musical específico) e aí, de repente, te pedirem para acompanhar um samba enredo. Muito provavelmente, você não vai fazer ideia de onde a harmonia vai, porque é um estilo que você não está acostumado(a), então é um caminho harmônico que você não está acostumado(a). Se você só toca um estilo musical, você acaba descobrindo os caminhos harmônicos, quais são as harmonias mais comuns desse estilo, mas, para outro estilo, talvez, não sirva, porque vai mudar. Existe uma grande diferença entre samba enredo e blues, por exemplo, ou do sertanejo para a bossa nova, etc.

Então, o importante é você estudar a teoria. E qual que é essa teoria? É o campo harmônico? Sim, ele é o principal, é o “recheio” do seu objetivo, mas, antes do recheio, tem uma série de receitas que você precisa saber, tem uma série de outros assuntos que você precisa estudar: escalas, intervalos musicais dentro das escalas, formação de acorde básico, tríades, tétrades, para, então, você chegar no campo harmônico.

Se quiser aprender tudo isso mais a fundo, te convido a conhecer o Você Pode Tocar, que é o meu curso online de violão, que aborda todos esses assuntos. Na verdade, ele começa desde o início, do zero, e vai até essa formação de campo harmônico, passando por diversos outros assuntos, diversas músicas, inclusive um módulo específico sobre Fingerstyle, que não está dentro desse assunto, mas é bom citá-lo também.

Conheça todos os detalhes sobre o curso clicando AQUI.

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Um grande abraço e até a próxima!
Renato Faleiro

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